Publicado por: Seprol | Categoria: Virtualização e Infraestrutura
Tempo de leitura estimado: 7 minutos

Por que a migração de infraestrutura virou prioridade estratégica?

A infraestrutura tecnológica é a espinha dorsal de qualquer empresa moderna. Servidores, sistemas, aplicações e bancos de dados sustentam desde as operações do dia a dia até as decisões estratégicas do negócio. E, nos últimos anos, uma pergunta tem tirado o sono de gestores de TI e de negócio em todo o mundo:

“Estamos rodando na infraestrutura certa para os próximos 5 a 10 anos?”

A resposta, na maioria dos casos, é: não completamente. Ambientes baseados em máquinas virtuais legadas e sistemas que nunca foram repensados acumulam o que chamamos de dívida técnica, um custo crescente e invisível que consome orçamento, trava a inovação e aumenta o risco operacional.

É nesse contexto que o framework dos 7Rs de migração de infraestrutura se tornou uma das ferramentas mais usadas por equipes de tecnologia ao redor do mundo. Originalmente desenvolvido para jornadas de cloud, o modelo evoluiu e hoje guia decisões de modernização muito mais amplas, incluindo a migração de máquinas virtuais (VMs) para ambientes de contêineres e plataformas como o Red Hat OpenShift.

Neste artigo, você vai entender o que são os 7Rs, como cada estratégia funciona na prática e como aplicar esse framework para tomar decisões mais seguras e alinhadas aos objetivos do seu negócio.

O que são os 7Rs de migração?

Os 7Rs são um conjunto de sete estratégias que ajudam as organizações a classificar, priorizar e executar a migração de infraestruturas modernas. Cada “R” representa uma abordagem diferente, com níveis distintos de complexidade, custo e benefício a longo prazo.

O modelo nasceu como os 5Rs, introduzido pelo Gartner em 2010. Com a maturidade do mercado, a AWS expandiu o framework adicionando o Retire e, posteriormente, o Retain, reconhecendo que nem tudo precisa ser migrado e nem toda migração precisa acontecer de uma vez.

Hoje, os 7Rs são referência tanto para migrações para a nuvem quanto para modernizações de infraestrutura on-premise, incluindo a adoção de plataformas como o Red Hat OpenShift.

Os 7Rs da migração de infraestrutura: da estratégia mais simples à mais transformadora

Pense nos 7Rs como um espectro. Em uma ponta, as estratégias que mudam pouco e são mais rápidas de executar. Na outra, as que exigem mais investimento, mas entregam maior valor estratégico a longo prazo.

1. Rehost – “Lift and Shift” (Levantar e Mover)

Mover uma aplicação para um novo ambiente sem nenhuma modificação no código ou na arquitetura. É o equivalente a reproduzir uma VM exatamente como está em outro lugar.

Faz sentido quando a empresa precisa migrar rapidamente, sem equipe disponível para refatorar sistemas, ou quando o objetivo imediato é reduzir custos de hardware e licenciamento legado. O ganho é velocidade e simplicidade, mas sem otimizações a aplicação pode não aproveitar os recursos do novo ambiente.

Analogia: é como mudar de apartamento levando todos os móveis exatamente como estão.

2. Relocate – Mover o Ambiente Inteiro

Similar ao Rehost, mas em vez de mover a aplicação para uma nova VM, você move o ambiente de virtualização completo (como um conjunto de VMs em VMware) para a versão equivalente em uma nova plataforma, sem modificar sistemas operacionais, arquitetura ou código.

É útil para empresas com investimento significativo em VMware que querem migrar para o Red Hat OpenShift Virtualization mantendo consistência operacional. Serve como uma ponte, não como destino final.

3. Replatform – Otimizar Durante a Migração de Infraestrutura

Mover a aplicação fazendo ajustes pontuais para que ela se beneficie de capacidades da nova infraestrutura, sem reescrever o código central. Um exemplo prático: migrar um banco de dados de um servidor próprio para um serviço gerenciado em nuvem, eliminando a necessidade de gerenciar patches, backups e alta disponibilidade manualmente.

Indicado quando a aplicação é estável, mas pode ser otimizada com serviços gerenciados. O resultado é melhoria de desempenho e redução de custo operacional com esforço moderado.

4. Refactor / Re-architect – Redesenhar para o Novo Mundo

A estratégia mais profunda de modernização durante a migração de infraestrutura. Envolve reescrever ou redesenhar a arquitetura da aplicação para aproveitar ao máximo plataformas modernas com microsserviços, contêineres e Kubernetes.

É a escolha certa quando a aplicação é crítica para o negócio e a arquitetura atual é um gargalo para novas funcionalidades, ou quando a empresa se prepara para adotar DevOps ou inteligência artificial. Aplicações refatoradas para rodar em contêineres no Red Hat OpenShift se beneficiam de escalabilidade automática, deploy contínuo e alta disponibilidade. É também a estratégia que demanda mais tempo, investimento e habilidades técnicas.

Analogia: em vez de reformar o apartamento, você projeta uma casa nova do zero, com a planta ideal para a sua vida atual.

5. Repurchase – Trocar por uma Solução Pronta

Em vez de realizar a migração de infraestrutura do sistema atual, a empresa o substitui por uma solução de mercado, geralmente um software como serviço (SaaS) que já atende a necessidade sem exigir manutenção de infraestrutura. Um exemplo comum: substituir um CRM instalado em servidor próprio pela versão SaaS do mesmo produto.

Faz sentido quando o sistema é custoso para manter, a empresa não tem diferencial competitivo naquele sistema específico, ou quando migrar seria mais caro do que simplesmente adotar algo novo.

6. Retire – Desativar o que Não Agrega Mais

Durante a avaliação do portfólio de aplicações, muitas empresas descobrem sistemas que simplesmente não são mais necessários, seja por redundância, obsolescência ou porque o processo que suportavam foi descontinuado. Desativá-los gera redução direta de custos, simplificação do ambiente e menor superfície de risco para segurança.

Analogia: fazer faxina no armário antes da mudança. Em vez de levar tudo, você descarta o que não faz mais sentido.

7. Retain – Manter o que Não Precisa (Ou Ainda Não Pode) Ser Migrado

Reconhecer que nem tudo precisa ser migrado agora. Em alguns casos, manter sistemas onde estão é a decisão mais inteligente, ao menos temporariamente. Isso inclui sistemas com restrições legais ou regulatórias, aplicações que passaram por grandes mudanças recentes e precisam de estabilização, ou workloads em que o custo de migração supera o benefício no curto prazo.

Reconhecer o Retain como uma decisão estratégica, e não uma desistência, é sinal de maturidade no planejamento.

Como aplicar os 7Rs da migração de infraestrutura na prática

Conhecer o framework é o ponto de partida. Aplicá-lo exige um processo estruturado de avaliação do portfólio. Na prática, uma boa jornada passa por quatro etapas:

1. Inventário e descoberta: mapear todas as aplicações, suas interdependências, custos associados e criticidade para o negócio antes de realizar qualquer migração de infraestrutura.

2. Classificação por estratégia: para cada aplicação, definir qual dos 7Rs faz mais sentido considerando o contexto técnico e os objetivos do negócio.

3. Priorização em ondas: organizar a migração em fases, começando pelos ganhos mais rápidos (Rehost/Retire) e evoluindo para projetos de maior transformação (Refactor).

4. Execução com as ferramentas certas: utilizar plataformas que aceleram e reduzem o risco da migração, como o Red Hat Migration Toolkit for Virtualization, que facilita a migração de VMs em larga escala para o Red Hat OpenShift.

Os 7Rs e a migração de infraestrura para contêineres

Quando o destino é uma plataforma de contêineres como o Red Hat OpenShift, os 7Rs funcionam como um mapa de rotas com destinos diferentes. Rehost e Relocate mantêm as VMs rodando como primeiro passo. Replatform começa a introduzir serviços cloud-native sem reescrever aplicações. Refactor é o caminho para transformar sistemas monolíticos em microsserviços em contêineres. Retire e Repurchase simplificam o ambiente antes ou durante a migração. Retain garante que sistemas com restrições específicas não sejam forçados a migrar antes da hora.

O Red Hat OpenShift Virtualization permite que VMs e contêineres rodem lado a lado na mesma plataforma, dando às organizações a flexibilidade de migrar no seu próprio ritmo, sem uma transição abrupta.

Conclusão: O mapa antes da jornada de migração de infraestrutura

Migrar infraestrutura não é apenas uma decisão técnica, é uma decisão de negócio. Os 7Rs transformam o que poderia ser um salto no escuro em uma jornada planejada, com riscos controlados e resultados mensuráveis.

O princípio central é simples: não existe uma única forma certa de modernizar. Existe a forma certa para cada aplicação, para cada contexto e para cada momento do negócio.

A Seprol, como parceira Red Hat, oferece apoio em todas as etapas dessa jornada, do inventário inicial até a operação em plataformas modernas como o Red Hat OpenShift. Se você quer entender qual é o ponto de partida ideal para a sua empresa, fale com nossos especialistas.


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Referências e leituras complementares


Este artigo foi produzido pela equipe de conteúdo da Seprol em parceria com especialistas Red Hat. Para mais informações sobre nossas soluções de modernização de infraestrutura, entre em contato.

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