Publicado por: Seprol | Categoria: Red Hat | Modernização de Infraestrutura
Tempo de leitura estimado: 7 minutos
A migração que funciona no papel, mas trava na prática
A adoção de contêineres segue em crescimento acelerado no mercado global. Empresas de todos os setores reconhecem os ganhos em eficiência, escalabilidade e agilidade que essa tecnologia oferece. E, no entanto, muitas iniciativas de migração enfrentam atrasos, retrabalho ou resultados abaixo do esperado.
O que costuma dar errado raramente é a tecnologia em si. Os maiores obstáculos surgem nas decisões tomadas antes mesmo da primeira aplicação ser containerizada: escopo mal definido, estratégia imprecisa, segurança deixada para depois, equipes despreparadas para o novo modelo operacional.
Conhecer esses erros com antecedência é o que separa uma migração bem-sucedida de uma jornada longa e cara. A seguir, detalhamos os cinco mais comuns e o que fazer para evitá-los.
Erro 1 – Escopo excessivo logo no início
A lógica parece fazer sentido: já que vamos modernizar, vamos modernizar tudo de uma vez. Na prática, projetos com escopo excessivo tendem a ser longos, caros e com resultados que demoram a aparecer.
Nem toda aplicação precisa ser containerizada ao mesmo tempo. Algumas situações pedem atenção antes de qualquer movimento:
- Dependências complexas que exigem análise cuidadosa antes da migração
- Sistemas em fase de descontinuação que não justificam o investimento
- Restrições legais ou contratuais que impedem movimentação no curto prazo
A abordagem mais eficiente é priorizar workloads com maior potencial de ganho imediato: aplicações que se beneficiam de escalabilidade, serviços com alta variação de demanda ou sistemas onde a agilidade de deploy tem impacto direto no negócio. Começar menor gera valor mais rápido, reduz riscos e cria aprendizado interno que beneficia as etapas seguintes.
Pergunta de autoavaliação: sua organização tem um critério claro para definir quais aplicações migrar primeiro, ou a priorização está sendo feita por conveniência ou pressão de prazo?
Erro 2 – Falta de clareza na estratégia de migração
Containerizar uma aplicação pode significar coisas muito diferentes dependendo da abordagem. Mover uma aplicação existente para um contêiner sem modificações é um processo completamente diferente de refatorá-la para microsserviços. Tempo, custo e complexidade são incomparáveis entre os dois caminhos.
Quando não tomamos essa decisão de forma explícita, o resultado costuma ser um dos dois:
- O negócio esperava ganhos de uma aplicação modernizada, mas a TI executou um simples lift-and-shift
- A TI embarcou em uma refatoração completa quando uma abordagem incremental teria entregado valor muito mais rápido
A decisão deve ser tomada aplicação por aplicação, com base em critérios objetivos: criticidade para o negócio, complexidade técnica, potencial de ganho com a modernização e capacidade da equipe para executar cada abordagem. Frameworks como os 7Rs de migração de infraestrutura, abordados em outro artigo desta série, oferecem uma estrutura útil para essa classificação.
Pergunta de autoavaliação: para cada aplicação no escopo da migração, sua equipe tem documentada a estratégia escolhida e o racional por trás dela?
Erro 3 – Subestimação da operação em produção
Implantar contêineres é apenas uma etapa. Operá-los com confiabilidade e estabilidade ao longo do tempo é onde muitas organizações se surpreendem com a complexidade.
Ambientes containerizados em produção exigem capacidades que vão muito além do desenvolvimento e homologação:
- Observabilidade integrada para acompanhar o comportamento das aplicações em tempo real
- Escalabilidade automática para responder a variações de demanda sem intervenção manual
- Gestão de falhas e recuperação automatizada para garantir resiliência
- Controle de versões e rollback de deployments para reverter problemas rapidamente
- Gerenciamento de dependências entre serviços para evitar falhas em cascata
Sem essas capacidades, o ambiente de produção se torna frágil e dependente de intervenção manual constante, anulando boa parte dos ganhos esperados. Plataformas como o Red Hat OpenShift foram desenvolvidas para endereçar essa complexidade operacional, oferecendo uma base enterprise-grade para operar contêineres em escala de produção.
Pergunta de autoavaliação: sua equipe tem clareza sobre como vai monitorar, escalar e recuperar aplicações containerizadas em produção antes de iniciar a migração?
Erro 4 – Tratar segurança como uma camada a ser adicionada depois
Em projetos com prazo e pressão por resultados, segurança frequentemente é empurrada para o final da fila. O problema é que em ambientes de contêineres, essa decisão cria vulnerabilidades estruturais muito mais difíceis de corrigir retroativamente.
Diferente de ambientes tradicionais, contêineres introduzem uma superfície de ataque distribuída e dinâmica. Os riscos mais comuns surgem de:
- Configurações incorretas em políticas de rede e controles de acesso, a principal fonte de risco em ambientes Kubernetes
- Imagens de contêiner sem verificação de vulnerabilidades antes do deploy
- Permissões excessivas entre pods e serviços que ampliam o impacto de uma eventual brecha
A abordagem correta é integrar segurança ao ciclo de vida dos contêineres desde o início, o que as equipes chamam de “shift left security”. O Red Hat Advanced Cluster Security for Kubernetes (ACS) é um exemplo de ferramenta que incorpora segurança nativa ao ambiente, automatizando a identificação de configurações incorretas e vulnerabilidades ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento e operação.
Pergunta de autoavaliação: sua organização tem políticas de segurança definidas especificamente para ambientes de contêineres, ou está aplicando as mesmas práticas de ambientes tradicionais?
Erro 5 – Não preparar as equipes para o novo modelo operacional
Contêineres mudam não apenas a infraestrutura, mas também a forma como as equipes trabalham. Desenvolvedores, operações e segurança precisam de novas habilidades, novos processos e, muitas vezes, uma nova mentalidade.
Empresas que migram a tecnologia sem investir em pessoas tendem a enfrentar três problemas recorrentes:
- Resistência interna: equipes que não entendem o novo modelo tendem a trabalhar contra ele, mantendo práticas antigas que criam inconsistências
- Dependência excessiva de fornecedores: sem capacitação interna, a organização perde autonomia para operar e evoluir o ambiente
- Retrabalho: decisões técnicas tomadas sem o conhecimento adequado do novo paradigma frequentemente precisam ser refeitas
Preparar as equipes não significa tornar todos especialistas em Kubernetes imediatamente. Significa garantir que cada perfil, do desenvolvedor ao gestor de infraestrutura, compreenda o novo modelo e saiba como suas responsabilidades evoluem dentro dele. O Red Hat Learning Subscription oferece trilhas de capacitação estruturadas para diferentes perfis técnicos, ajudando organizações a construir essa competência internamente de forma progressiva.
Pergunta de autoavaliação: sua organização tem um plano de capacitação vinculado ao projeto de migração, ou a expectativa é que as equipes aprendam durante a execução?
O padrão por trás dos erros
Olhando os cinco erros em conjunto, um padrão fica claro: todos têm origem em decisões tomadas, ou não tomadas, antes do início da execução. Escopo, estratégia, operação, segurança e pessoas são dimensões que precisam ser endereçadas no planejamento, não descobertas ao longo do caminho.
Organizações que obtêm melhores resultados tratam a migração como uma evolução estruturada da infraestrutura, combinando planejamento criterioso, ferramentas adequadas, segurança integrada e investimento em pessoas.
Conclusão – 5 Erros Mais Comuns na Migração de Infraestrutura para Contêineres
A diferença entre uma migração que gera valor rapidamente e uma que vira um projeto interminável raramente está na tecnologia escolhida. Está na qualidade das decisões que precedem a execução.
Conhecer os erros mais comuns é o primeiro passo. O segundo é ter um processo estruturado e um parceiro experiente para apoiar cada etapa da jornada, do planejamento à operação em produção.
A Seprol, como parceira Red Hat, apoia organizações em todas as fases dessa jornada: da estratégia de migração à operação em produção com autonomia. Se você quer avaliar o estado de prontidão da sua organização para a migração para contêineres, fale com nossos especialistas.
Quem é a Seprol?
A Seprol é especializada em soluções tecnológicas de ponta, infraestrutura e serviços de TI, com mais de 40 anos de mercado. Hoje oferecemos muito mais do que produtos e serviços aos nossos clientes, oferecemos ferramentas inovadoras para que a sua empresa faça mais, melhor e em menos tempo, desenvolvendo todo o potencial da sua organização. Saiba mais.

Referências e leituras complementares
- Red Hat – Segurança em ambientes Kubernetes
- Red Hat – Boas práticas de segurança para Kubernetes
- Red Hat – O que é segurança de contêineres
- Red Hat OpenShift – Plataforma enterprise para contêineres
Este artigo foi produzido pela equipe de conteúdo da Seprol em parceria com especialistas Red Hat. Para mais informações sobre nossas soluções de modernização de infraestrutura, entre em contato.
