Publicado por: Seprol | Categoria: Red Hat | Modernização de Infraestrutura
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Quando o Banco Central abriu a licitação para o Pix em 2020, o edital já definia a arquitetura. Tinha que ser distribuída, baseada em Apache Kafka, com operação ininterrupta e capacidade para processar milhares de transações por segundo e a Red Hat ganhou.
O Pix chegou a registrar 297 milhões de transações em um único dia e acumula hoje 170 milhões de usuários. No Red Hat Summit 2026, maior evento global da empresa, o CEO Matt Hicks apresentou o case brasileiro como um dos principais exemplos de resiliência em escala. Para ele, o que foi construído aqui “não se trata apenas de mover dinheiro, mas de sustentar a confiança de uma nação inteira através de código aberto e automação.”
O que a licitação revelou sobre critérios de arquitetura
A escolha por Apache Kafka tinha fundamento técnico claro. O protocolo e projetado para alta disponibilidade e escala horizontal, distribuindo o processamento entre múltiplos nós de forma que o sistema continue operando mesmo diante de falhas parciais na infraestrutura. Essa arquitetura era pré-requisito no edital, o que significava que o critério de seleção não era só preço, era capacidade técnica comprovada em condições extremas.
A implementação combinou Red Hat OpenShift e Red Hat AMQ para criar uma infraestrutura nativa em nuvem de baixa latência. Nos testes de carga processou 99% de 2 mil transações por segundo em menos de 4 segundos. Esse número importa porque define a diferença entre uma infraestrutura que aguenta a demanda real e uma que funciona bem até o momento em que ela cresce.
A automação que vai além da transação
Processar pagamentos em escala resolve metade do problema. A outra metade é operar o sistema sem que o custo de gerenciamento cresça na mesma proporção, e foi aí que o Red Hat Ansible Automation Platform entrou em cena. A ferramenta automatizou a rede e a integração com parceiros terceirizados, reduzindo a complexidade operacional e os custos de logística de moeda física.
O impacto foi além do que o projeto originalmente previa. A impressão de papel-moeda caiu cerca de 30%. Isso é o resultado da adoção em escala de um sistema que funcionou sem janelas de indisponibilidade que desmotivam o uso. A automação não foi um componente de suporte do Pix; foi parte da razão pela qual ele mudou o comportamento financeiro do país.
O Brasil como referência global para o futuro
No Red Hat Summit 2026, o Pix não foi apresentado como curiosidade regional, mas como modelo para a modernização financeira global. Hicks foi explícito ao descrever o que foi construído com OpenShift e Ansible no Brasil como “a base para a próxima fronteira: a IA de missão crítica”. A meta declarada é de garantir que “cada transação e cada linha de automação tornem as organizações não apenas mais rápidas, mas drasticamente mais inteligentes.”
Essa afirmação tem um peso diferente quando dita a partir de um case que processa centenas de milhões de transações por dia. A IA de missão crítica que Hicks descreve não é experimento de laboratório. É a próxima camada sobre uma infraestrutura que já foi testada em escala real. Para gestores de TI no Brasil, a arquitetura que o país provou funcionar e a mesma sobre a qual as próximas iniciativas de automação inteligente serão construídas. Quem ainda opera sobre uma base que não passou por esse nível de teste vai encontrar um gargalo diferente quando essa camada chegar.
O que esse case coloca na mesa
O Pix não é um argumento ideológico a favor de open source. É um case documentado de uma instituição pública com requisitos bem específicos que escolheu uma arquitetura por critério técnico e obteve resultado mensurável, reconhecido no principal evento global do setor.
A pergunta que ele deixa para quem decide sobre infraestrutura não é “open source ou não”. É se a arquitetura atual aguenta o que a organização vai precisar dela nos próximos dois anos, e se ela está preparada para sustentar o que vem depois da digitalização.
A Seprol trabalha com Red Hat na construção dessas arquiteturas no Brasil. O ponto de partida não é a substituição de sistemas existentes, mas o diagnóstico do que a infraestrutura atual consegue entregar e onde ela vai encontrar o teto.
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